sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Na casa da minha avó tem muito amor, carinho, histórias e ... bolinho de aipim!

Apesar de o blog já ter quase 2 anos, eu percebi que ainda não falei muito sobre a minha família por aqui. Esta semana estive algumas vezes na casa da minha avó e ela me inspirou para escrever o post de hoje, que tem receita, mas também tem história.

Minha família materna é de origem italiana, na verdade meus dois avós maternos são filhos de italianos que chegaram ao Brasil e se instalaram no Espírito Santo. Meus avós viveram boa parte de suas vidas em Iconha e lá moravam e trabalhavam na roça. Quando vieram para o Rio de Janeiro (acho que há pouco mais de 40 anos) eles já tinham seus quatro filhos, os dois mais velhos, meu tio e minha mãe, já estavam em idade de trabalhar e depois de alguns anos compraram uma casa com um belo e grande quintal, onde eu cresci. Meu avô sempre apaixonado pela vida simples da roça fez questão de manter seus hábitos e por isso, eu cresci rodeada de diversas árvores frutíferas como pés de pitanga, acerola, laranja, limão, coco, goiaba, graviola, fruta do conde, pinha, jabuticaba, manga, cajá, uva, romã, banana, mamão, carambola e por aí vai... além de diversas ervas, hortaliças e temperos, cultivados bem ali, no meu quintal. Uma das minhas árvores preferidas na casa da minha avó é o centenário pé de canela, cheiroso que só!!! Ah... e tinham as galinhas e os patos que meu avô tanto amava.

O fato é que minha avó Alzira foi a responsável por despertar em mim o interesse pela cozinha. Apesar de minha amada mãe cozinhar muito bem, ela não gostava muito de ir para a cozinha, então eu passava muito tempo observando as mãos experientes da minha avó preparando pratos maravilhosos. Ela me ensinou muitas coisas, a primeira delas é que cozinhar vai muito além da receita, você precisa "sentir" a comida. Até hoje me surpreendo com o fato de que minha avó não usa medidas para cozinhar, é tudo no olho! Ela me ensinou também que os melhores ingredientes são aqueles que a gente pode ir buscar no pé, bem fresquinhos, e é por isso que até hoje, mesmo anos depois da morte do meu avô, a minha avó mantém suas ervas sempre por perto, frescas e deliciosas.

Minha avó não acredita em "medicamentos de farmácia", só toma em caso de vida ou morte, ela prefere tomar um chazinho, rsrsrs. Desde pequena eu me encantava com o conhecimento que ela tinha sobre "plantas que curam". Vejam só como é a vida, ainda muito nova eu optei por fazer faculdade de farmácia e no 3º período me apaixonei pela Botânica, acabei me especializando em fitoquímica e plantas medicinais e hoje minha avó é tema frequente nas aulas de Botânica Aplicada que ministro para o curso de Medicina.

No último domingo passei o dia na casa da minha avó. Almoçamos juntas e depois do almoço ela disse que já era tempo de arrancar as raízes de aipim. Pedi ao marido para ajudar, afinal de contas minha avó tem quase 80 anos e as raízes são pesadas para ela arrancar sozinha, mas ela é danadinha e já queria ir tomando as rédeas da situação. É sempre uma experiência linda ver minha avó trabalhando com a terra. Colhemos uns 5 quilos de aipim (de uma planta só!!!), e ela fez questão de descascar e cortar todas as raízes e ai de quem quisesse se intrometer, rsrs, fiquei ali do lado auxiliando e fotografando (escondida, porque ela não gosta de tirar fotos, rsrs), encantada com o fato de que minha avó com seus 79 anos ainda tem tanta saúde e energia para cuidar dessas coisas (obrigada Senhor pela saúde da minha avó!).

O aipim de lá é o melhor do mundo, até os vizinhos batem na porta de vez em quando para pedir. Acho que deve ser porque foi plantado e colhido com amor. Na terça-feira meu marido trabalhou à noite e eu fui dormir na casa da minha avó, ela aproveitou o aipim para fazer seus maravilhosos bolinhos, com a receita mais simples do mundo, mas com um resultado incrível.

Antes da receita vejam as fotos da pequena plantação de aipim da minha avó...

Aqui as raízes recém colhidas prontas para serem lavadas e descascadas...

Minha avozinha descascando as raízes com a maior destreza do mundo, e eu atrapalhando ajudando, é claro, rsrsrs.

5 quilos do melhor aipim do mundoooo!!!!



Para fazer os bolinhos basta cozinhar o aipim em água e sal e quando ele estiver bem macio, escorrer bem. É preciso amassar o aipim ainda quente e ir removendo as fibras para que a massa fique bem lisa e homogênea. Adicionar um pouquinho de margarina ajuda, mas não pode ser muito do contrário a massa fica muito mole. Trabalhe bastante essa massa com as mãos, assim o amido do aipim começa a dar liga e não há necessidade de acrescentar nenhum grama de farinha de trigo. Se for necessário acrescente um pouco mais de sal.

Para o recheio minha avó escolheu nosso preferido, queijo meia cura picadinho. É só fazer os bolinhos, abrir na palma da mão, colocar os pedaços de queijo e fechar os bolinhos. Depois de recheados basta fritar em óleo bem quente e escorrer em papel toalha. Minha avó disse que colocar uma pitadinha de sal no óleo na hora de fritar deixa o bolinho mais gostoso. Ai que delícia!!!

Minha avó fritando os bolinhos...


Os bolinhos deliciosos da vovó!!!

Minha prima deu uma mordida com tanta vontade no bolinho que eu não resisti e tirei essa foto, pena que ficou tremida!rsrs

Para acompanhar a vovó fez suco de laranja, com laranjas colhidas do pé que fica bem de frente para a cozinha... não dava para ficar mais gostoso!!! Bom demais!!!

Quero desejar a vocês um lindo e feliz final de semana! Aproveitem para passar um tempo com pessoas queridas e especiais!!!

Beijinhos!!!

5 comentários:

  1. flor, que lindo post! *.*

    adoro sempre conhecer a historia dos meus antepassados, é interessante conhecer mais de onde viemos
    e esses bolinhos devem ser uma delicia, sua vozinha é mt amor!
    beijos!

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  2. QUE DELÍCIA CAROL, MINHA VOZINHA TAMBÉM FAZIA DELÍCIAS, OS NETOS AMAVAM IR PRA CASA DELA, ERA MUITO BOM, ELA NOS CONTAVA HISTÓRIAS... CASA DE VÓ É UM DOS MELHORES LUGARES DO MUNDO. E A MUDANÇA, COMO ESTÁ??
    BOM FIM DE SEMANA.
    BJOS...

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  3. Que bela história Maria..e experiência passando de vó para neta..amei as fotos e os bolinhos. Abraços.Sandra

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  4. Carol,
    que delícia de postagem!
    Adorei conhecer um pouquinho mais sobre você (não sabia em que você era formada e para que dava aulas) e saber sobre essa história da sua família, que por sinal eu adoro!
    Esses bolinhos me deram água na boca. Parecem deliciosos e, claro, repletos de amor.

    Acabei de perceber que NUNCA vi um pé de canela. Acredita que eu não sabia que ela tinha árvore. Vou agora no google pesquisar a imagem.

    beijinhos :*
    Carol
    Um blog simples
    Sorteio de coisinhas ♥

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  5. OLá Carol
    Nossa tô aqui passada com suas receitas, menina que delícia!
    Uma mais gostosa que outra, fiquei com água na boca..rsrs
    bjs
    Paty

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